segunda-feira, 6 de julho de 2015

NÃO ESPERE A MORTE... PARA DIZER QUE AMA - Peça Teatral

PEÇA: NÃO ESPERE A MORTE... PARA DIZER QUE AMA.


Personagens:

José ( Pai ) Julia, Henrique, Camila, Carla, Sheila ( serão irmãos), namorado de Sheila.


Objetos necessários:
Celular
TV e Vídeo Game
Corda


Cenário:
Casa


Cena 1:
Os filhos estão em casa. Júlia está vidrada na internet. Carla está fazendo exercícios ( físicos ), Camila, estudando, Henrique, jogando vídeo game e Sheila, com seu namorado. Cada um está em um canto da casa, compenetrado nos seus “a fazeres”.
José: ( abre a porta de casa, alegre ) Boa noite pessoal, boa noite...
( os filhos estão tão “ concentrados “, que não reagem ao comprimento do Pai... José então tenta conversar de maneira individual... )
Henrique ( interrompe seu pai, demonstrando certa irritação... ): Pô pai o sr fez eu morrer; olha ai, eu estava quase conseguindo...
José se retira, então, se aproxima de Carla....
Carla ( interrompe seu pai, demonstrando irritação... ): Paaaaiiii, o sr me faz perder a conta... depois agente conversa...
( José, decepcionado, procura por Júlia.... )
Julia ( também o interrompe ): Ah pai, agora eu tô na internet, tô vendo o site aqui, depois agente conversa....
( Assim o pai faz com todos os filhos, porém, nenhum deles lhe dá atenção. Na verdade, o pai queria apenas um abraço, porém...
José: ( desapontado, desabafa “ para todos “ ) filhos, vocês não podem fazer assim, vocês precisam ter pelo menos um tempinho para falar com o Papai. ( apontando para Julia ) Essa menina agora fica o dia inteiro na internet, não quer nem mais ir pra escola. Essa outra aqui ( apontando para Carla ) colocou na cabeça que tá gorda, que precisa emagrecer, agora fica direto fazendo exercícios. A outra não tem mais tempo pra ninguém, só pensa em namorar. Assim não dá gente.
( porém, ninguém lhe “ ouve “, isto é, não lhe dá atenção ).

( José não responde. Demonstrando decepção, decide escrever um bilhete ).
( Começa a escrever... Depois de escrever e colocar o bilhete em local visível, sai de casa sem ser notado pelos filhos. Em seguida, Thiago vai embora. Sheila acompanha o namorado até a porta, depois, encontra o bilhete e o lê em voz alta )
BILHETE:
“ Filhos, mais uma vez , voltei para casa na esperança de vê-los, mas vocês não me deram atenção....
Mais um dia eu precisava muito falar com vocês, mas vocês não tiveram tempo para mim.
Mais uma vez, desejei um abraço, mas vocês não puderam me dar.
Infelizmente, sempre que preciso de vocês, vocês não podem me atender...
É engraçado, quando vocês eram bebês, mesmo que cansado do serviço, eu dava atenção....
Mesmo com toda correria, eu sempre arrumava um tempinho para cada um de vocês...
Todas as vezes que vocês choravam, mesmo que fosse de madrugada, lá estava eu para socorrer; sempre que precisavam de alguma coisa, eu trabalhava até conseguir, porém, agora....vocês nunca tem tempo para mim.
Será que realmente sou importante para vocês ? Vocês realmente se importam comigo ?
ass: José Machado da Cunha “
Sheila ( para os irmãos ): gente, gente, vocês viram, o papai tá chateado.... ( ninguém reage ) Pessoal, eu tô falando sério, ele tá muito triste....


( Sheila tenta falar com os demais, porém eles não “ dão ouvidos “ )
( José abre a porta e entra, Sheila fica feliz em revê-lo. Ele abre os braços para abraça-la, ela também repete o gesto, porém, Thiago, o namorado, chega logo atrás. Sheila corre para abraçar o namorado, José acha que ela irá abraça-lo, no entanto, ela passa por ele e abraça Thiago, logo atrás. José fica, chateado, de braças abertos )
( José se decepciona e sai... )
Já sei, tive uma idéia... vamos ver se eles realmente se importam comigo !
( José se coloca em outro lugar ( onde o público possa ouvi-lo, porém, não necessariamente vê-lo. ex: cabine de som, com auxílio de um microfone ). José disfarça a voz, passando-se por funcionário de um hospital, liga em sua casa, fala com Sheila ( pode ser no celular ) e diz que José Machado da Cunha, ( na verdade, ele mesmo ) sofrera um acidente e veio a falecer... )

( Sheila desliga o telefone e entra em desespero. Thiago tenta acalma-la, porém ela não lhe dá atenção e ele vai embora. Os irmãos, a principio, não acreditam, depois, vão ficando tensos até, também, se desesperarem...)


( Todos começam a se justificar, até que a confusão se generaliza. Ninguém entende mais nada , tamanho falatório e lamentação, um culpando o outro...


Cada um dos filhos podem citar um versículo, depois todos saem, terminando assim a apresentação.
Tiago ( namorado da Sheila, portanto, na mesma faixa etária dela )
Livros e Cadernos
O Pai, José Machado da Cunha, retorna do trabalho, feliz por chegar em casa, porém, desejoso de conversar com os filhos ou, pelo menos, com um deles....
José ( se aproxima de Henrique ): Oi filho, eu queria tanto...
José: minha filha, você viu...
José: filha, o papai precisa...

Carla: Pai, a conta do meu tênis chegou.... ( porém, continua fazendo exercícios... )
Henrique: Olha ai, esse vídeo game falhou de novo.... Pô pai, tá na hora de compra um vídeo game novo, esse aqui tá muito ruim... ( continua jogando... )

Julia: eu também quero um celular novo...

Sheila: Pai, tô precisando de uma graninha pra ir no cinema....
José ( desabafa ): Oh meu Deus, onde foi que eu errei ? Eu dei de tudo pra essas crianças....
Carla: Pô meu, fica quieta ai, eu tô estudando, você não tá vendo
Sheila: mas eu tô falando, o papai tá chateado com a gente....
Carla: tá, tá tá bom, então vai lá atrás dele...
Sheila: o papai tá chateado...
Henrique ( irritado... ): Oh, você vai fazer eu errar meu....
Sheila ( lamentando-se ): meu Deus, como fui insensível, o papai tá precisando de ajuda... Me perdoe Senhor, vou conversar com ele.
Sheila ( justificando ) Pai, depois eu quero conversar com o senhor....
José ( falando para a igreja, fora do palco / altar, a frente do público ): Será que minha vida não vale nada pra eles ? Meu Deus, os filhos crescem e ficam tão diferentes. Hoje é dia dos pais mas eu não quero presente, eu preciso apenas de um abraço...
Sheila ( ao telefone com o “ funcionário do hospital “. Acaba de receber a noticia do “ falecimento de seu pai “) Não moço, pelo amor de Deus, não fala isso, meu pai não pode ter morrido, eu preciso falar pra ele o quanto eu o amo...
“ Funcionário do hospital “ ( ao telefone ): Sinto muito, o corpo agora segue para o necrotério municipal.
Carla: Não, nãããão, não pode ser. O Papai não sabe o tanto que eu o amo, ele precisa saber, não....
Julia: Pelo amor de Deus Senhor, não leva o meu pai agora não, eu preciso muito dele, eu necessito muito falar com ele Senhor....
Sheila: eu vou orar um monte ( se ajoelha ), vou orar mais que todo mundo pra demonstrar o quanto eu amo o papai...
Camila: e eu então, vou encomendar um montão de coroa de flores, todas escritas “ Eu te amo “.
Júlia: e eu vou chamar o caminhão de bombeiro....
Henrique: Pode parar, agora já é tarde, vocês deveriam fazer isso enquanto o papai estava vivo, agora que ele morreu, ele não pode ver nada disso. ( chorando ). A culpa é de vocês, vocês mataram o papai.
De repente, José aparece na porta. O filhos ficam felizes e espantados. Eles pedem desculpas e fazem “ juras de amor eterno “. Depois de acalmada a situação... )
José ( para a igreja ): Não espere a morte para dizer o quanto você ama seu pai; você pode não ter uma segunda chance...

Julia ( para a igreja ): Honra teu pai e tua mãe, para que te prolonguem os dias sobre a terra...